O perfume.
Limítrofe, a vila onde se criou “o padre caudilho”, situada a Leste desta, está à cidade do folclore, pelo dito e pelo não dito e havido. Caracterizada e reconhecida esta cidade de criadores de gado, ovelhas, cavalos e plantadores de arroz, como a cidade da bicharada. É marca conhecida local, aos seus leais cidadãos e trabalhadores, pelo tamanho minúsculo pouco competitivo dos seus instrumentos naturais de trabalho, principalmente dos seus rústicos e notáveis galanteadores de moças e raparigas insaciáveis.
O farmacêutico estabelecido, na praça central, ao lado do museu, ao qual se homenageia um dos homens mais notáveis da História do Brasil, testemunhou um dos episódios que afirmam a pretensão de um dos mais reconhecidos tropeiros, agora tentando tropear ou incomodar as moças, em sua cidade natal, como precursor até então, só de boiadas aumentadas das ditas sobras do alheio.
Das rodas de mates nas tardes frias de dias longos de invernos o qual o vento minuano acovardava os heróis de lençóis alugados, reuniam-se, naqueles dias toscos próprios para exercitar suas fracas memórias, com mateadas de deixar a língua quente e assim propiciando fáceis comentários, simplesmente pelo prazer de chimarrear. A temperatura alta antagônicas ao inverno que são as do verão também aí se consolidava maiores comentários, onde a sede atormentava e atormenta até hoje, com muitos suores enaltecendo a tal pretendida dignidade e as vagas mentalidades, de homens muitas vezes só ditos sérios, e alertava aos convivas intempestivos de ali, e até então com pretensões de audazes, e por venturas ainda não todas experimentadas, aquele tipo fofoqueiro de cidade e de cortiço. Assim passava o tempo, com os comentários, das ditas mentiras e conquistas amorosas, em contrapartida, das impotências doentias das taras ali contadas, em aventuras tardias, ou em momentos de gloria somente ao contar, e não o fracasso a comentar, e seguia assim o tal tropeiro seus relatos. Ali se comentava de tudo um pouco enquanto se esperava, o chegar com o elegante andar com um perfume aromático e tentador e permanente de uma dama dita e havida e desejada, e tendo o costume de ali chegar frequentemente as 19 horas de quase todos os dias, era seu desfile de desejos, ao entrar porta adentro da farmácia, em direção a sua prateleira preferida, pois estava ela nesta hora frequentemente, sempre a manipular descontraída os frascos dos perfumes, e apresentava-se sendo uma colecionadora de vários frascos, certamente encontrava ali o ponto de suas referências, procurando um parceiro para um grande momento de prazer, para satisfazer seus desejos íntimos e inconfessáveis.
O farmacêutico oriundo das terras do planalto central, talvez oriundo da terra dos tropeiros de mulas, acomodado e disciplinado, em seu balcão onde atendia com cordialidade seus fregueses, apesar de sua aparência de contrariedades, obedecia aos sinais de seus convivas inquietos, diante do quadro de galanteios diante daquela dona, elegante, sexual e de beleza tentadora, portanto despertava nos presentes um momento futuro para as intimidades. E o mate de mão em mão, com algumas mãos com incertas colocações antagônicas, a agarrar a cuia, alimentando sonhos sexuais ainda tenros apesar da idade da maioria, de todos ali presentes, mas particularmente, a tentação primária deste tropeiro freguês da farmácia, para a corte de tão esbelta e elegante senhoria. Resumindo isto, perto da prateleira, onde se expunha os perfumes importados, de marcas todas reconhecidos pelo mundo afora, ao qual representava aqueles frascos muitos deslumbres para aquela bela dona. De valor considerável, era cada um dos frascos e eram apreciados, todos os dias, e ela a despertar principalmente ao tropeiro, os sonhos de conquistas além de todos os freqüentadores daquele local.
Acostumado e arraigado para a economia das misérias quando não estava preso, o tal galanteador, fazia um sinal ao farmacêutico, depois de algum cochicho com a dona formosa, já lhe prometendo pagar o perfume escolhido. Depois de algum tempo, e isto mais de ano, o tal galanteador, disse a distinta senhorita, que estava na hora de terem um encontro, pois afinal insinuava-se nas entre linhas um encontro amoroso, tais as qualidades dos presentes oferecidos, e a presença dela diariamente naquele local, que ela freqüentava e deveria ter percebido que ele tinha a admiração de sua beleza e atração sexual, mais que todos os freqüentadores da farmácia, e que ele já provara em ser um de seus admiradores pagando quatro frascos de perfume escolhidos por ela, assim se tornando o seu favorito, se não o principal admirador.
Combinado o encontro, no sábado seguinte, e no horário das 19,30 horas, depois de uma convicta labiada amorosa, ela se convenceu das potencialidades do tal tropeiro, e combinou como local do encontro, na esquina do clube social local. Estava o tropeiro, a partir daquele momento que era uma quinta-feira à noite, a olhar permanentemente seu relógio, a causar constrangimento ao dono da farmácia, tal a sua ansiedade, que mais parecia um jovem a ver a coisa preta pela primeira vez.
Chegado o sábado e hora combinada, depois de quase gastar os seus olhos e ao relógio, o tal conquistador saiu da farmácia com um carro preto de um amigo, pois sua caminhonete de ruralista bem sucedido, era muito conhecida, e observada pela polícia. Saiu da farmácia e a meia quadra dali, estava aquela dona a sua espera como o combinado.
Saíram em direção de uma das saídas da cidade, e em determinado local não específico, pararam para tomar um tranqüilizador alcoólico, e o galanteador com dose dupla, já foi desafiado pela sua acompanhante, disse ela que quando em atividade, confirmando o ato que teriam dali a poucos minutos, dizendo que se apresentava sempre sóbria, e aceitou somente dose simples, e assim mesmo só bebericou. Estava o tropeiro a cometer erros pueris.
Momento a seguir, nas entrelinhas de uma afirmação falsa e outra indigna de qualquer consideração, em lapidosa conversa e relapsos termos de controvérsias e carinhos inúteis, a dona disse que iria ao banheiro. Imediatamente, o galanteador, não tendo ao que roubar, roubou a própria conduta de amante e descontraído, impotente em suas afirmações assim como, lembrando por hora a hora dos bois dos outros, programou uma retirada estratégica. Chamou o garçom, puxou uma nota de valor considerado na época, que ele não costumava gastar ou se valer do tal valor, e disse ao ouvinte e atencioso garçom, que estava com um problema a resolver e que lamentava deixar a sua companhia naquela situação sozinha na copa daquele bar ou restaurante. As dúvidas deste local permanecem até hoje. Assim, se foi o tal pagador de perfumes, disparou da raia, próprio dos seus conterrâneos, em disputas políticas e de debates sobre economia rural e assembléias de cooperativas, em fraudes constantes, e históricas. Por outro lado a pretensão vai mais além dos amores contados e mascarados em seu Município, que o ufanismo em delírios constantes, designa o mais desenvolvido e progressista da América do Sul, por alguns sendo considerado o umbigo do Mundo e por outros o centro do Universo.
No outro dia, domingo no fim da tarde, foi o galanteador, aproveitar o mate quente do dono da farmácia, como de costume, e já se sabia de que a senhorinha estava a pedir socorro a um carro de praça em local do seu abandono, já em adiantado horário da noite, e de despeito ao tal conquistador barato e acovardado.
Perguntado pelo farmacêutico, afinal fulano, o que houve, se desentendeu com a moça? – Não, disse o galanteador, pagador de perfumes e de pouca convicção de sua fortuna. Questionou-me ela entre linhas, e esta dona me disse convicta, que ficou dois anos em floreio com certo elemento galanteador e lustrosinho da cidade, todo metido a irresistível das mulheres, e que depois de um floreio em lençóis suados se apresentou com um instrumento de mais ou menos neste tamanho gesticulou ela, que ela era mulher que só se satisfazia com homens bem dotados, que com coisinhas de fazer consiga que estes nunca lhe satisfizeram e naquele momento não há satisfaria, em seus desejos sexuais, vulgares e sempre com muito perfume..
Havia algum constrangimento com o amigo, naquele momento dos fundamentos irreais do tal galanteador, agora desarmado e desmoralizado, os gestos demonstrados pela dona em questão naquele momento, e sendo avaliados, pelo farmacêutico, com a régua na mão, uma tipo colegial, para tentarem descobrir qual o tamanho que a dona, procurava em suas avaliações superficiais, e que precisaria ou necessitaria, para sua satisfação sexual. Chegaram à conclusão que teria de ter no mínimo vinte centímetros e o tal conquistador do perfume caro e importado, não conseguiria isto nem com banda de música. Mais fácil por certo, era só continuar atendendo o balcão, pensava o farmacêutico, no seu caso, e era continuar a marcar bois do alheio, pensava o tropeiro, e fugir daquele encontro enquanto era tempo, por certo pensavam os dois amigos, mas constrangidos um com o outro, nada diziam mas por certo pensavam.
Finalmente o tropeiro e conquistador frustrado se revelaram;
Dizia ao farmacêutico, mas barbaridade meu amigo, esta eu não esperava, como é que com o meu “virgulino” ia acomodar aquela dona, exigente, pois é meu caro farmacêutico resolvi disparar, pois esta fama de larápio, e mais esta agora de atrofiado, como ficaria, além de ladrão, um tropeiro rico e capão.
Francisco Berta Canibal. Em 2011.
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